Os servidores do Judiciário receberam ontem uma proposta salarial para os próximos anos. Um acordo entre o Ministério do Planejamento e o Supremo Tribunal Federal (STF) prevê aumento total na folha de pagamento de 23,2%, em oito parcelas semestrais, por quatro anos, com início em janeiro de 2016. Na prática, a elevação será de 16,5% a 41,47% sobre o vencimento básico (que não inclui adicionais, gratificações e funções de chefia). De acordo com o Planejamento, o impacto na despesa da União será de R$ 5,99 bilhões anuais, após a última parcela, em julho de 2019.
Embora o percentual seja superior aos 21,3% ofertados ao pessoal do Executivo, a proposta não agradou aos servidores, que pretendem continuar pressionando o Legislativo a derrubar o veto da presidente Dilma Rousseff ao projeto (PLC 28/2015) que elevava os salários entre 53% e 78%. A irritação aumentou porque o presidente do STF, Ricardo Lewandowski, acertou com seus pares que os ministros dos tribunais superiores terão, já em 2016, reajuste de 16,38%, o que elevará os subsídios mensais de R$ 33,8 mil para R$ 39,2 mil.
A proposta para os ministros deve ser apresentada durante a tramitação, no Congresso, do Projeto de Lei Orçamentária do próximo ano. O reajuste considera a inflação de 2009 a 2014, medida pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA).
O coordenador-geral do sindicato dos trabalhadores no Judiciário (Sindjus-DF), Junior Alves, disse que a categoria está revoltada. “Esse aumento não nos contempla. Sequer repõe a inflação dos últimos nove anos. A desculpa do presidente do STF para não dar o que pedimos é a situação fiscal do país, pretexto que não vale para magistrados. Nos empurram um parcelamento e vão receber tudo à vista”, reclamou.
Na tarde de ontem, segundo o Sindjus, servidores foram agredidos por policiais militares, que usaram cassetetes, dispararam tiros, jogaram spray de pimenta e danificaram o carro de som alugado, durante uma manifestação na Praça dos Três Poderes, em frente ao STF, em prol da derrubada do veto. “Foi inexplicável. O ato era pacífico. Um colega puxou a grade. Mas a categoria inteira recuou, porque o objetivo não era invadir o tribunal. Mesmo assim, o batalhão de choque veio para cima, batendo e quebrando tudo. Policiais deram dois disparos. Temos fotos de tudo: das cápsulas, do colega agredido e da truculência com o spray”, disse Júnior Alves.
Fonte: CorreioBraziliense http://impresso.correioweb.com.br/app/noticia/cadernos/economia/2015/08/13/interna_economia,178946/judiciario-reajuste-de-ate-41.shtml)




















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